7 e 8 de agosto de 2017: Seminário em Homenagem a Guita Mindlin "Rumos Atuais e Futuro da Conservação no Brasil"

SEMINÁRIO EM HOMENAGEM A GUITA MINDLIN "RUMOS ATUAIS E FUTURO DA CONSERVAÇÃO NO BRASIL"

 

A Biblioteca Brasiliana José e Guita Mindlin realizará, nos dias 7 e 8 de agosto de 2017, o seminário intitulado Rumos atuais e futuro da conservação no Brasil, em homenagem a Guita Mindlin, fundadora da ABER – Associação Brasileira de Encadernação e Restauro – e um dos nomes mais respeitados na área da conservação e restauro, bem como na formação de mão de obra especializada para esse setor, em nível nacional.
O seminário objetiva, por meio de palestras proferidas por especialistas, promover uma reflexão crítica sobre a área da conservação, preservação e restauração de acervos, destacando as mudanças ocorridas nesse setor, a presença crescente de acervos físicos e eletrônicos, as diversas contribuições para a salvaguarda do patrimônio cultural e as possíveis políticas de cooperação entre as várias instituições.

 

As inscrições podem ser feitas através do telefone (11) 3091-1154 ou do e-mail bbm@usp.br.

 

PROGRAMAÇÃO:

 

7 de agosto de 2017

9:30 ISIS BALDINI
Conservação, uma história não escrita
Nos últimos 30 anos a área de conservação e restauro se especializou, normatizou e viabilizou mudanças significativas objetivando a salvaguarda do patrimônio cultural. Neste período, a área se transformou, e o que era uma atividade exclusivamente prática passou a ser teórico-prática, caminhando para ter sua metodologia prática cada vez mais embasada em fundamentos teóricos-críticos. A palestra abordará, a partir de um olhar presente, as mudanças significativas que ocorreram tanto na área específica quanto nas atividades em que a área se justifica dentro da estrutura museológica. Como trata-se de uma análise feita a partir da vivência da palestrante, esta terá como ponto de percepção e contraste as instituições paulistas, mais especificamente o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o Centro Cultural São Paulo.

 

10:15 MARTIN GROSSMANN
Conservação e os desafios da coletividade cultural
Em sintonia com a palestra de Isis Baldini, proponho problematizar a conservação em um contexto ampliado. Seja em relação ao institucional (equipamentos culturais, campos culturais, etc), à formação e crítica (universidades, cursos, educação continuada, esfera discursiva, etc.), bem como à representação e organização (associações profissionais, esfera governamental, organismos públicos e privados, etc.). Se nas ultimas décadas a conservação no Brasil especializou-se, estruturou-se, viabilizando significativas contribuições a salvaguarda do patrimônio cultural, por outro lado ela vem sofrendo desgastes, seja internos —como o corporativismo e provincianismo da profissão, seja externos —como o dos preconceitos de outras instâncias da governança cultural, que a vê como uma área apenas técnica.
Esse cenário expandido será exposto levando em consideração o arquivo vivo do Fórum Permanente e as experiências em gestão cultural/acadêmica frente ao MAC-USP, o Centro Cultural São Paulo e o IEA-USP.

 

11:00-12:00 DEBATE

 

12:00 – 14:30 ALMOÇO

 

14: 30 BRIQUET DE LEMOS
Conservar ou desconservar: “bicho tem em qualquer lugar, até na minha casa”
Os registros feitos desde pristinas eras têm tido sua conservabilidade sujeita a riscos intrínsecos aos materiais e técnicas empregados em sua feitura, e a fatores extrínsecos, de ordem ambiental, política, cultural, econômica e tecnológica. Além de o próprio uso contribuir para acelerar os processos de desorganização, de decaimento, de desordem, próprios de tudo que existe. Se conservar é ato de intervenção humana, o seu contrário (desconservar) ocorre naturalmente, pelo simples passar do tempo, embora a ação e a inação do homem costumem contribuir para esse processo. A conservação deficiente dos lugares de abrigo dos documentos é um dos fatores que contribuem para a mais rápida desconservação desses documentos. Em levantamento feito em jornais, de fevereiro de 1880 a março de 2017, foram identificados 76 incêndios e 19 alagamentos em bibliotecas e arquivos, com graus variados de perdas. Práticas de conservação exigem mecanismos de cooperação, intercâmbio e definição de responsabilidades em âmbito local, regional e nacional. Da lavagem do papel à digitalização de textos, passando pela microfilmagem, o histórico das técnicas de conservação mostra que seu emprego nem sempre adotou as cautelas necessárias, às vezes contribuindo para a perda ou mutilação dos documentos. A desconservação também pode ser uma das consequências da repressão de ideias, de furtos e roubos e da ocultação/destruição de documentos em casos de ilícitos, o que atinge principalmente os arquivos. A conservação, tanto em seus aspectos técnicos quanto culturais, políticos e econômicos, deve fazer parte de uma política de Estado para preservação do patrimônio nacional.

 

15:15 ALOISIO CASTRO
História da Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis no Brasil: reflexões sobre a constituição do campo na Administração Pública Brasileira (1855-2008)
Nesta comunicação, propõe-se um exame reflexivo acerca do percurso da construção cultural da profissão do conservador-restaurador de bens culturais móveis no âmbito do Estado brasileiro, abrangendo o recorte cronológico de 1855 até os anos de 2008. Examina-se os marcos teóricos, os paradigmas, as influências internacionais e a políticas sociais e educacionais que alicerçaram a inserção desse profissional especializado no espaço social brasileiro. Ao priorizar o conservador-restaurador de bens culturais - ator social - como foco de análise, envereda-se por uma pesquisa que busca aprofundar o campo de reflexões e discussões relativas à sociogênese da profissão e à construção epistemológica do pensamento preservacionista brasileiro. Além disso, objetiva-se, na interpretação aqui empreendida, contribuir para o estabelecimento da historiografia da Conservação-Restauração de Bens Culturais no Brasil.

 

16:00-17:00 – DEBATE

 

8 de agosto de 2017

9:30 RÍZIO BRUNO SANT’ANA
O bibliotecário na conservação de livros raros
Descrição dos trabalhos desenvolvidos nos últimos 30 anos na Biblioteca Mário de Andrade, nas áreas de preservação de acervos, conservação de livros e curadoria de obras raras.

 

10:15 VALÉRIA GAUZ
A Interdisciplinaridade e a formação de profissionais na área de Preservação de Acervos no Brasil: um olhar preliminar
A Biblioteconomia, nos últimos anos e ainda timidamente, passou a incluir disciplinas (optativas, normalmente) das áreas de Preservação, Conservação e Restauração em seu currículo acadêmico, embora há vários anos os interessados no assunto busquem conhecer e se especializar por meio de cursos particulares, no Brasil e no exterior, que geralmente formam aqueles que atuam em muitas das nossas bibliotecas. O interesse acadêmico na preservação de acervos físicos ocorre concomitantemente àquele em acervos eletrônicos, uma vez que estes se impuseram no ambiente pessoal e profissional e nos forçam a pensar a memória como campo mais amplo. Nossa fala abordará aspectos de algumas áreas relacionadas à preservação de acervos em suporte papel, características dos cursos existentes, tendências, assim como pesquisas na área.

 

11:00-12:00 DEBATE

12:00 – 14:30 ALMOÇO

14: 30 CARLOS AUGUSTO CALIL
A implantação do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo e a renovação da Biblioteca Mário de Andrade
Durante decênios, as bibliotecas da cidade de São Paulo viveram uma crise agônica que atingiu o seu auge no início do século. As respostas tardavam pois o poder público não reconhecia mais nessas instituições uma função relevante. Foram abandonadas como depósitos de papel velho, de aparelhos e equipamentos em desuso e de cultura morta. Foi a partir de 2005, com a criação do Sistema Municipal de Bibliotecas que esse quadro começou a reverter.

 

15:15 JOSÉ TEIXEIRA COELHO NETO
A ideia de arte não é mais a mesma
“Com a evolução mental de nossa espécie, não apenas aprendemos novas coisas sobre o mundo como também aprendemos a alterar nossa estrutura conceitual [...] E aquilo que aprendemos [e mudamos] forma o mundo real de que somos parte”(Carlo Rovelli, Setti brevi lezione di física).
As novas tecnologias da computação já alteram em larga medida, e o farão cada vez mais, os diversos aspectos da vida humana. A arte não é e não será exceção. Assim como impõe-se renovar os conceitos de ser humano e de natureza, a ideia de arte exibirá alterações quase certamente radicais, por vezes insuportáveis para a estrutura conceitual de hoje. Conceitos como o de unicidade e originalidade serão abalados e com eles as noções de museu, acervo, preservação e conservarão serão largamente revistas.

 

16:00-17:00 – DEBATE E ENCERRAMENTO

 
 
As informações acima foram retiradas do site da Biblioteca Brasiliana e podem ser modificadas sem avisos prévios. Vejam o site para informações atualizadas: https://www.bbm.usp.br/node/243

 

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