Osvaldo é considerado o primeiro discotecário do Brasil --em 1958, havia criado uma aparelhagem de som mecânico própria e fundado a primeira equipe de baile de que se tem conhecimento no país. Na ativa ainda hoje, aos 83 anos, ele é um dos personagens do projeto inédito 'Bailes: Uma Imersão nos Bailes Black dos anos 1960-­70 em São Paulo'​– série de fanzines que dá voz a cinco discotecários que fizeram história em cada região da cidade e recupera a linguagem gráfica dos "circulares" (os flyers daquela época).

Idealizado pelo designer Danilo de Paulo e realizado em conjunto com a jornalista Cecília Araújo, o projeto foi contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Estado de São Paulo e será lançado na próxima quarta-feira, dia 30 (veja abaixo).

Johnny/Arquivo pessoal

Johnny (à esq.), da equipe Mimens, Tim maia e Cesar, da equipe Cariocas Club

Johnny (à esq.), da equipe Mimens, Tim Maia e Cesar, da equipe Cariocas Club, durante baile no Clube Banco do Brasil, na Lapa, na zona oeste de SP, em 1975

"A vontade de retratar os bailes surgiu de uma memória de família. Minha avó guardava álbuns de fotos antigas que sempre me encantaram, especialmente algumas do aniversário de 15 anos da minha mãe, em 1975. Foi a primeira e única vez que meu avô abriu a casa dele para um baile", conta Danilo.

Quando começaram a pesquisa, porém, viram que existia pouca coisa documentada sobre esse movimento.

"Recuperar a memória gráfica dos bailes foi a parte mais desafiadora, porque os 'circulares' são materiais cotidianos e descartáveis. Pouca gente guarda esse tipo de impressão. Tivemos a sorte de encontrar pequenos --mas muito ricos-- acervos pessoais pelo caminho", revela Danilo.

Segundo Cecília, cada personagem carrega uma história de vida e um envolvimento com os bailes bastante particulares. "Para Eduardo, o baile sempre foi um ato político. Para Tony, musicalidade. Para Johnny, conexão. Para Osvaldo, entrega. Para Charles, curtição… Em um contexto de ditadura militar, todas essas formas de se envolver com o movimento representavam algumas das diversas vozes da resistência negra", diz ela. "Da mesma forma com que a música se propaga no espaço, esperamos propagar essas histórias também", afirma Danilo.

Bailes: Uma Imersão nos Bailes Black dos anos 1960-­70 em São Paulo
Quando: 30/03, a partir das 19h30
Onde: Aber (Associação Brasileira de Encadernação e Restauro), na Hemeroteca da Biblioteca Mário de Andrade, rua Dr. Bráulio Gomes, 125, ­ República
Quanto: Catraca livre

24 de março de 2016

Catraca Livre: https://queminova.catracalivre.com.br/instrui/projeto-faz-imersao-nos-bailes-black-dos-anos-60-e-%C2%AD70-em-sp/

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